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domingo, 2 de novembro de 2008

Mais política. Mais noção de conseqüência. Mais vontade de chorar.


Enviado para você por Fernando através do Google Reader:

via the Literary Saloon em 01/11/08


In The Observer they now have: 'seven leading US authors reflect on his eight years in the White House, and the type of America that the 43rd president is leaving behind', in The state of America after Bush. Most of it is along the lines of Aleksandar Hemon's "everything he and his flunkeys touched instantly turned into long-lasting shit", but really, what else can you say about this eight-year-disaster ?


Coisas que você pode fazer a partir daqui:


Noção de conseqüência. Vontade de chorar.


Enviado para você por Fernando através do Google Reader:

via pedrodoria.com.br de Pedro Doria em 01/11/08

…sobre as eleições brasileiras como elas são na prática:

Entre uma taça e outra de vinho, poucas é verdade, uma amiga me relatou sua alegre experiência como mesária numa seção eleitoral de Laranjeiras, bairro rico em história, na Zona Sul da cidade. "Fraudei uns 70 votos pro Gabeira", contou com toda a inocência do mundo.

Simples, ela disse, para minha surpresa maior ainda: o presidente da mesa era um velhote que não parecia estar com muita vontade de ficar ali. Quando chegou perto de meio-dia, mandei ele almoçar e disse que não precisava ter pressa. Era tudo o que ele queria. Pedi que a terceira mesária ficasse na porta para recepcionar quem chegasse. Ficou apenas mais uma moça na mesa. Aí, foi só combinar. […]

"Se houve isso para o Gabeira nessa seção, deve ter havido em outras", ponderou um dos presentes. "E deve ter havido o mesmo para o Eduardo Paes em outras tantas", completou. Claro, concordamos todos. "Fizeram a urna perfeita e esqueceram de aperfeiçoar o ser humano", concluiu um outro amigo para a gargalhada geral.

dica do Fabio Negro



Coisas que você pode fazer a partir daqui:

Estas pessoas têm noção de conseqüência?

Não se trata apenas de acreditar em "energias sutis" interconectanto tudo, ou em "forças ocultas", eterna paródia das "forças terríveis" que o Jânio alega ter dito na época.

É mais simples do isso. É que há crianças na sala. Há gente trabalhando por perto. Há pessoas que contam conosco. Que esperam alguma coisa de nós.

E nós nos rimos de nossas "trapalhadas"? E foi intencional? E foi realmente necessário? Valeu a pena? Podemos dormir tranqüilos com a sensação do dever cumprido?

Essa gente tem realmente qualquer tipo de noção?

A renúncia de Jânio (Tentando expressar o inefável)



Enviado para você por Fernando através do Google Reader:

via ARQUIVO DE ARTIGOS ETC de Artigos em 01/11/08

Brasília tem pouco ou nada a ver com a renúncia de Jânio Quadros, que abriu o caminho para os 21 anos da mais longa ditadura da nossa tumultuada crônica republicana. Como não tenho a pretensão de fazer História, guio-me pelos passos das pernas curtas e rápidas do meu saudoso amigo Carlos Castello Branco, titular desta coluna no JB , até seu último dia de vida, e que foi assessor de imprensa de Jânio, além de ser o maior repórter político da minha e de todas as gerações.

Nas 132 páginas do seu insubstituível livro A renúncia de Jânio, na edição de 1996 da Editora Revan, o Castelinho disseca a renúncia com a isenção do repórter, a sagacidade do analista e o texto do escritor e acadêmico. Começa depondo desde a manhã do dia 25 de agosto de 1961. Depois da noite insone, um funcionário do Palácio do Planalto sussurrou-lhe que algo ocorria: José Aparecido de Oliveira, secretário particular do presidente, ordenara-lhe retirar documentos importantes e arrumar toda a papelada. Pouco depois, chegou Aparecido e deu a notícia: o presidente renunciou. Já está voando para São Paulo.

Jânio telefonara às cinco da manhã a Quintanilha Ribeiro, chefe da Casa Civil, e anunciou que tomara uma decisão. Pediu que seguisse para o Palácio e convocasse o general Pedro Geraldo, chefe da Casa Militar. Ambos foram comunicados da renúncia.

De volta ao gabinete do Planalto, reuniu os cinco para as sumárias explicações: "Renunciarei agora à Presidência. Não sei assim exercê-la". E finaliza, caprichando na ênfase: "Ela me diz que a melhor fórmula que tenho, agora, para servir ao povo e à pátria, é a renúncia".

Jânio convocou os ministros militares para a comunicação oficial. Pouco depois chegam ao gabinete os ministros da Guerra, general Odílio Denys, da Marinha, almirante Sílvio Heck, e da Aeronáutica, brigadeiro Grum Moss. Jânio repetiu em poucas palavras o relato aos secretários e ao ministro da Justiça.

O brigadeiro Moss tentou o apelo ao bom senso: "Presidente, não faça isso". No que foi secundado pelo almirante Heck: "Este é o maior golpe que sofro na minha vida". O general Denys foi mais longe: não faltava ao presidente o apoio das Forças Armadas, que ali estavam na pessoa dos seus chefes para prestigiá-lo e obedecer a suas ordens. Entendia as dificuldades, mas o presidente devia saber que "esse moço" (clara referência a Carlos Lacerda) é assim mesmo. O marechal Denys pediu que o presidente ordenasse as providências, que elas seriam tomadas: intervenção na Guanabara, fechamento do Congresso. E entrou direto no ponto crucial que desencadearia a crise militar: o governo da República não poderia passar às mãos de João Goulart. Acontece o inacreditável: Jânio intervém e cala os ministros: "Poupem-nos esses constrangimentos, quando nada em homenagem ao meu gesto. Minha decisão é definitiva".

Ora, se os três ministros militares tinham a plena convicção de que a renúncia, sem explicação minimamente verossímil, lançaria o país no torvelinho de uma gravíssima crise, com risco de uma guerra civil, e eles ali estavam com a responsabilidade de preservar a ordem pública e o regime democrático, era transparente a prioridade de, a qualquer preço, evitá-la até as últimas conseqüências para cortar pela raiz a manobra golpista.

Desde o crescente apelo até a virtual detenção do presidente desmiolado. Ou do apelo ao Congresso para não conhecer o documento presidencial antes de um exame de sanidade mental. Se o constrangimento dos ministros é compreensível, a clara percepção da crise militar e política que a fuga de Jânio deixaria como herança exigia e justificava a crescente reação que impedisse a jogada tantas vezes executada como governador de São Paulo. Desde a clara recusa à renúncia, por decisão dos três ministros, ao cerco militar do Palácio para evitar a fuga pela porta dos fundos.

Nunca a passividade, a rendição, o aturdimento da surpresa.

Mais tarde, o bravo senador João Agripino, da UDN paraibana, confessou que procurou encontrar o ministro da Justiça, Pedroso Horta, para tentar pegar o papelucho da renúncia e sumir com ele.

E teria mudado o curso da História.

Mas a nossa conversa não termina aqui.



Coisas que você pode fazer a partir daqui:



Eu tinha nove anos nesta época. Meu pai havia falecido dois anos antes e, na campanha presidencial do ano anterior, minha mãe permanecera fiel a ele e fez campanha pela espada do PSD, do Marechal Lott, contra a gozação dos amigos que empunhavam a vassoura de Jânio.

Teria feito alguma diferença? Havia realmente alguma diferença significativa entre a espada e a vassoura? Entre a cruz e a caldeirinha?

A culpa pode ser fruto da criação judaico-cristã. O sentimento de impotência é permanente.

Para respirar, escolher uma gravação e ouvir (ou cantar) 3.675 seguidas o Cantigas para voar ("Azulão"), de Vital Farias. A da Elba Ramalho, no CD duplo Solar, é perfeita. Também dançada aqui:


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