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sábado, 30 de agosto de 2008

I'll be watching you

Este blog, sem um tema, não tem a pretensão de receber visitas: até o café é servido frio.
É apenas uma tentativa, proporcional aos meios de que disponho, de ser gentil com os que são gentis.
-ooo-
Eu me vejo cercado de pessoas gentis. Cada uma ao seu modo, naturalmente.
A gentileza que me fazem não é uma gentileza pessoal, embora muitas vezes o seja. Eu me refiro a uma espécie de gentileza universal e indiferenciada.
São pessoas que fazem alguma coisa na vida (virtual ou real) que julgam importante ou interessante, e que evidentemente se esforçam para isso.
Adultos trabalhando com atenção e prazer são como crianças brincando com atenção e prazer. Eu nunca me canso de observá-los.
Concentrados assim, aos meus olhos, eles redimem a humanidade.
As pessoas cujas obras constam da minha lista não são as únicas que fazem isso, por certo. Uma visita às suas páginas revela uma lista felizmente interminável de outras tantas pessoas e sites gentis.
São apenas alguns ótimos exemplos que eu conheço e freqüento. Aos poucos eu vou descobrindo as verdadeiras razões das minhas escolhas.
-ooo-
O meu conceito de gentileza é bem amplo. A camaradagem, por exemplo, freqüentemente é uma boa forma de gentileza. A intimidade, mais raramente.
-ooo-
Há muitos blogs na lista tidos e mantidos por mulheres. Eu adoro. Eles dobraram a minha compreensão da alma feminina nos últimos cinco ou seis anos, o que significa que, numa escala de 0 a 100, a minha compreensão do universo feminino deve ter pulado de um nível perto de -60 (sic! menos sessenta) para alguma coisa próxima de -120 (sic! menos cento e vinte). Mais ou menos como o meu saldo bancário no mesmo período (mas este é apenas um exemplo ilustrativo e não tem nada a ver com as mulheres. As mulheres da minha vida são lindas, mas não são como as mulheres das piadas sob este ponto de vista: elas são econômicas).
-ooo-
Talvez o meu conceito de falta de gentileza seja um pouco mais estranho.
Para mim, a falta de gentileza é indistinguível da falta de noção de conseqüência.
Eu sofro, por exemplo, quando entro num blog para ler um comentário sobre a safra de grãos no cerrado brasileiro e um dos pretensos comentadores se sai com uma observação do tipo: "esta senhora não consegue dar um jeito no próprio cabelo e quer falar sobre a safra de grãos...".
[Atualizado em 30/08/08 às 20h50min: Alguns poderão dizer que, se o tolinho acha isso ruim, é porque não viu nada. Pode ser. A baixaria, o completo descontrole são perigosos, mas podem ser atribuídos a algum tipo de desequilíbrio que os neuropsicoanalistas podem enquadrar com maior ou menor dificuldade. O tipo de comentário que eu citei, e que me horroriza, tem a pretensão de ser tomado como um argumento válido, quando não é. E até pode ser confundido com um por mentes incautas.]
Não é uma brincadeira. Não é divertido. Não serve pra nada.
Talvez a blogueira, calejada, releve.
Eu, porém, morro muito diante de uma coisa destas. E, como dizem de alguém que se vê diante da morte iminente, o pior da minha vida se passa como um filme acelerado em minha cabeça.
A minha covardia, por exemplo, e o meu pacifismo hipócrita, pois a verdade é que eu não tenho uma arma e não teria coragem para usar uma. Mas fica o desejo de sangue e destruição que acaba se convertendo em cabelos brancos, gastrite e descontrole da pressão arterial.
Principalmente pela percepção inelutável de que eu também sou um ser humano e não posso ser muito diferente de alguém capaz de cometer uma insanidade como esta.
-ooo-
Felicidades e muito sucesso aos meus blogueiros prototípicos, sempre animados pelo verdadeiro "espírito da coisa".

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