Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Hino da Internet

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

CAMBALACHE
(Letra e Música de Enrique Santos Discépolo - 1935)



Que el mundo fue y sera una porqueria,
ya lo se;
en el quinientos seis
y en el dos mil también;
que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dubles,
pero que el siglo veinte es un despliegue
de malda insolente
ya no hay quien lo niegue;
vivimos revolcaos en un merengue
y en un mismo lodo todos manoseaos.

Hoy resulta que es lo mismo
ser derecho que traidor,
ignorante, sabio, chorro,
generoso, estafador.
Todo es igual; nada es mejor;
lo mismo un burro que un gran profesor.
No hay aplazaos ni escalafon;
los inmorales nos han igualao.
Si uno vive en la impostura
y otro roba en su ambición,
da lo mismo que si es cura,
colchonero, rey de bastos,
caradura o polizon.

Que falta de respeto,
que atropello a la razon;
cualquiera es un señor,
cualquiera es un ladron.
Mezclaos con Stavisky
van Don Bosco y la Mignon,
don Chicho y Napoleon,
Carnera y San Martin.
Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida
y herida por un sable sin remaches
ves llorar la Bíblia contra un bandoneon.

Siglo veinte, cambalache
problematico y febril;
el que no llora, no mama,
y el que no roba es un gil.
Dale no mas, dale que va,
que alla en el horno nos vamo a encontrar.
No pienses mas, sentate a un lao,
que a nadie importa si naciste honrao.
Que es lo mismo el que trabaja
noche y día como un buey
que el que vive de los otros,
que el que mata que el que cura
o esta fuera de la ley.

sábado, 24 de janeiro de 2009

sábado, 13 de dezembro de 2008

Eu desisto...


Enviado para você por Fernando através do Google Reader:

via Porta do Vento de ana v. em 12/12/08

Linda, redonda e brilhante. Misteriosa, perturbadora de tão cheia. A sussurrar inconfessáveis ousadias. A noite de lua cheia - essa mágica noite que só nós, mulheres, entendemos - continua feminina. Como sempre.

Coisas que você pode fazer a partir daqui:


--O--

Ismália

Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


--O--


sábado, 29 de novembro de 2008

O teimoso

Ou estas:
O TEIMOSO

Bastos Tigre (Recife, 12 de março de 1882Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957)

"Como é teimoso o Fernando!
Com razão ou sem razão,
Teima o danado, e teimando,
Nunca muda de opinião.

Nasceu teimando, o teimoso,
E, teimando, há de morrer.
Nem por artes do tinhoso
Dá ele o braço a torcer.

Saiu, certa vez Fernando
A passeio com o Janjão.
O sol estava escaldando;
Era a força do verão.

A pé, três horas marcharam
Naquele infernal mormaço,
E os dois afinal, pararam,
Cheios de sede e cansaço.

-- Um pouco mais caminhemos --
Diz Fernando --, que ali perto,
Água bem fresca teremos
No oásis deste deserto.

E ele apontava com o dedo
Leve mancha esbranquiçada,
Junto de um denso arvoredo,
Além, na curva da estrada.

Mão em pala, ao longe olhando,
Diz Janjão: -- Água? Não creia...
Repare bem 'seu' Fernando,
Aquilo é uma boa areia!

-- É água! Fernando insiste.
-- É areia, repare bem.
E Janjão, de dedo em riste,
Aponta e insiste também.

-- É água, estou mais que certo!
-- Pois bem -- propõe o Janjão --,
Vamos olhar mais de perto,
Para ver se é areia ou não.

E puseram-se a caminho,
Marchando na estrada ardente.
(Já, da mancha bem pertinho,
Vê-se a areia, claramente).

Mas o Fernando ainda teima!
-- É água, é água, Janjão!
O amigo por fim se 'queima',
Dá o estrilo e com razão.

Com tanta teima irritado,
Sobre a areia se abaixando,
Janjão apanha um punhado
E atira-o sobre o Fernando.

Mas este, todo se encolhe
E grita, avançando a mão:
-- Estou suado, não me molhe,
Não me molhe 'seu' Janjão!"

(Bastos Tigre. Antologia poética, v. 1. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1982, p. 243-244.)

Baixando a bola

É recomendável prudência quando frases como estas começam a vibrar em sua consciência:

MONÓLOGO DE UMA SOMBRA

Augusto dos Anjos (Cruz do Espírito Santo, 20 de abril de 1884Leopoldina, 12 de novembro de 1914)

“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A saúde das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!

Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
-- Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!

Na existência social, possuo uma arma
-- O metafisicismo de Abidarma --
E trago, sem bramânicas tesouras,
Como um dorso de azêmola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.

(...)"

(A foto de A.A. foi copiada daqui, bem como a sugestão do trecho citado. O poema completo pode ser lido aqui. Há divergências entre as versões. O trecho foi copiado do .pdf que pode ser baixado aqui, por exemplo.)

======//======

Talvez seja oportuno baixar a bola e começar a decorar estas:

VOZ INTERIOR

Bastos Tigre (Recife, 12 de março de 1882Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957)

Quem sou eu? De onde venho e onde, acaso, me leva
o Destino fatal que os meus passos conduz?
Ora sigo, a tatear, mergulhado na treva,
ou tateio, indeciso, ofuscado de luz.

Grão, no campo da Vida onde a morte se ceva?
Semente que apodrece e não se reproduz?
De onde vim? Da monera? Ou do beijo de Eva?
E aonde vou, gemendo, a sangrar os pés nus?

Nessa esfinge da Vida a verdade se esconde;
o espírito concentro e consulto a razão
e uma voz interior sincera, me responde:

- "Quem és tu? Operário honesto da nação.
- De onde é que vens? De casa - Onde é que estás? No bonde.
- Para onde vais? Não vês? Para a Repartição".

(O soneto foi copiado daqui.)

======//======

Principalmente quando o que se quer é algo "trivial" como isto:

EGOÍSMO

Bastos Tigre (Recife, 12 de março de 1882Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957)

É por meu próprio bem que eu quero o bem alheio;
Porque busco ser bom é que me torno egoísta,
Pois, a todo momento, olhando o mundo, anseio
Transformar em prazer o que me passa à vista.

O pranto me horroriza, os lamentos odeio,
Apavora-me a dor que os corações contrista;
Quanto o prazer é belo, o sofrimento é feio,
À luz espiritual do meu senso de artista.

E jamais direi "não" a quem meu "sim" procura;
Compelido a julgar, prefiro ser mau juiz,
A criar com o castigo uma nova amargura.

E se a alguém já fiz mal, a mim mesmo é que o fiz;
Pois é, do meu egoísmo, a suprema ventura
Ver, em redor de mim, todo mundo feliz.

(Copiado daqui, com direito a uma audição da Serenata de Schubert.)

======//======

Né não?

Onde me encontrar